domingo, 25 de setembro de 2016

Ténue inquebrável

[Tempo pintado 05] Estas fotografias são também uma revisitação das primeiras imagens que fiz na casa de Queluz, em 1999. Eram imagens a preto e branco, feitas com uma câmara de médio formato, sobre película. Sombras que permanecem onde se mantém essa luz ténue mas viva de memória vital, de laços inquebráveis. Coisas de silêncio.
 
Queluz. 2016

Queluz. 2016

Queluz. 2016
 

sábado, 24 de setembro de 2016

Porquê ausência

[Tempo pintado 04] Não existe agora uma resposta para este fascínio por estas peças. Que motivo terá levado Ruy Belo a adquiri-las? Não há uma resposta óbvia. Elas continuam a existir em lugares mais ou menos visíveis da casa de Queluz. Umas são presença quotidiana, outras são memórias escondidas, quase apagadas no fundo de uma prateleira.
 
Queluz. 2016

Queluz. 2016

Queluz. 2016
 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Era uma vez

[Tempo pintado 03] Tempo Pintado, nasceu de um convite para participar no Festival Literário Internacional de Óbidos, particularmente pelo interesse demonstrado pela organização em passar o filme Ruy Belo - Era uma Vez, de Fernando Centeio e Nuno Costa Santos. A ideia evoluiu, posteriormente, para mais iniciativas. Voltar a mostrar fotografias que de algum modo evocassem Ruy Belo. A ideia partiu de minha mãe, Teresa Belo. Era evidente que havia algo que se relacionava muito diretamente com Óbidos: eram as figuras de cerâmica que meu pai comprava quando divagava pela região.
 
Queluz. 2016

Queluz. 2016

Queluz. 2016
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Dias de verão

[Tempo pintado 02] Ocasionalmente, nos dias de verão em que as nuvens encobrissem o sol de agosto da praia da Consolação ou o nevoeiro teimasse em permanecer, saímos pela região. Peniche, Óbidos, Caldas da Rainha. As casas de loiças eram uma visita obrigatória. Muitos dos objetos cerâmicos representados nestas fotografias terão sido adquiridos pelo próprio em Óbidos e na sua região. Hoje é difícil objetivar quais desses objetos concretamente. Ficou disponível um imaginário particular que agora, tal como há décadas atrás, permanece, como se naquelas figuras discretamente coloridas e vidradas o tempo se mantivesse cúmplice.
 
Queluz. 2016

Queluz. 2016

Queluz. 2016
 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Óbidos, regressar a Ruy Belo

[Tempo pintado 01] Peças cerâmicas povoam as estantes da casa de Ruy Belo. São uma presença que continua a existir junto dos livros de quase todas as divisões da casa. São como figuras que com esses mesmos livros estabelecem um diálogo enigmático, talvez sobre lugares, sobre as mãos que moldaram aquelas personagens e objetos, talvez sobre o conteúdo dos livros, sobre poemas, sobre a vida, sobre o mundo. Outras peças respondem pela sua função imediata, de apoio ao quotidiano da casa. Pratos, canecas, travessas, todos os dias nos transportam em memória para lugares distantes, como se nos seus desenhos sobre fundo branco estivesse uma geografia imaginária que, inevitavelmente, nos remete para os universos da palavra, não necessariamente literatura ou poemas, mas para a possibilidade da livre expressão do pensamento.
 
 
Queluz. 2016

domingo, 11 de setembro de 2016

Maia

[pst 248] Maia, 6 de setembro de 1996. "Com os senhores de Cete e Urrô aproximámo-nos das terras mais baixas e mais próximas da influência marítima, na foz do rio Ave. Entre ele e o Douro, a norte e a nordeste do Porto, está a terra da Maia, mais extensa que muitas das outras que mencionámos, hoje densamente habitada, como o devia ser já, embora em proporção menor, no século. XII". (José Mattoso — Identificação de um País). Os senhores da Maia tiveram nesta altura um papel importante nos acontecimentos que levaram à batalha de S. Mamede. O topónimo Castelo da Maia sugere a existência de um lugar fortificado, no centro das terras da Maia, mas de que não chegaram até nos quaisquer testemunhos construídos. Arquiteturas recentes e uma urbanização desenfreada definem hoje o centro cívico do município da Maia.

Maia. 6 de setembro de 1996

sábado, 10 de setembro de 2016

Espinho

[pst 247] Em 1840 apenas existia no lugar um aglomerado de palheiros de pescadores. Com a construção da linha de caminho de ferro começa o desenvolvimento de um povoado de traçado ortogonal. Em 1899, a já então vila era elevada a sede de concelho. O avanço do mar iria causar danos consideráveis em terra. Em vinte e sete anos avançou cerca de 300 metros e destruiu centenas de casas, processo que só foi interrompido localmente após a construção de molhes perpendiculares à linha de costa. Continua a ser a praia mais popular dos arredores do Porto.

Espinho. 5 de outubro de 1996