sábado, 21 de outubro de 2017

Cancho Só — Serra das Mesas

[pst 348] (...)"o maior relevo da serra das Mesas, [é] um monte granítico cujas rochas têm aspecto de jazida e formas muito curiosas: espalhados a esmo, blocos graníticos arredondados, piriformes, quadrangulares, de feitio de pirâmides ou atarracados, mas quase sempre encimados por chapéu ou prancha horizontal. Estas rochas largas e pouco espessas que assentam em qualquer bloco e às vezes sobre outras da mesma forma (queijeiras) dão o aspeto da superfície das mesas retangulares, circulares ou mesmo elipsóidais, com fundas alterações devido aos agentes meteóricos: vento, gelo, geada, neve e também chuva". (Carlos Alberto Marques, A Bacia Hidrográfica do Côa). Serra de transição entre a Beira e a Beira Baixa, é também lugar atravessado pela linha de fronteira entre Portugal e Espanha.

347. Cancho Só — Serra das Mesas, Foios. Sabugal. 25 de julho de 1995

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Serra da Estrela

[pst 347] "O pastor quase-bárbaro dessas cumeadas da serra a topetar com as nuvens (1800 m a 2000 m de altitude), abordoado ao seu cajado, vestido de peles, seguindo o rebanho de ovelhas louras, é talvez o descendente dos companheiros de Viriato. Por essas eminências, tapetadas de relva no Estio e de neves no Inverno, nem as vilas nem as árvores se atrevem a subir: só o pastor nómada as habita. Do alto do seu trono de rochas vê gradualmente ir nascendo a vida pelas encostas: primeiro o zimbro, rasteiro e roído pelo gado, circunda os altos nus; logo aparecem os piornos, as urzes brancas, os carvalhos; depois, já a meia altura da encosta, os castanheiros, as lavouras, os enxames de aldeias; afinal, na extrema baixa, o lençol de lagunas, o tapete de esmeraldas engastadas em fios brilhantes, que o sol faceta ao espelhar-se no labirinto de canais". (Oliveira Martins, História de Portugal). Este quadro romântico não corresponde à realidade mas sugere o carácter poético da serra. Ainda hoje, se nos afastarmos das estradas entretanto construídas, continuamos a encontrar nas marcas do pastoreio, os únicos vestígios construídos, na cumeeira da serra.

346. Serra da Estrela, Penhas da Saúde. Covilhã. 1 de março de 1996

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Muro com inscrições, Malhada Sorda

[pst 346] Nestas terras abunda o granito em lages compridas e delgadas.  Vai ser assim aplicado não apenas em muros, mas também na construção de paredes de casas rurais. Nas paisagens de Malhada Sorda e Nave de Haver encontramos, por vezes, em muros marcas de cristianização. Desenhos gravados na superfície texturada da pedra dura.

345. Muro com inscrições, Malhada Sorda. Almeida. 27 de julho de 1996

sábado, 14 de outubro de 2017

Cruzeiro, Ínfias

[pst 345] Acontecem um pouco por todo o País, mas nas imediações de Fornos de Algodres há uma quantidade invulgar. São cruzeiros que assinalam o lugar onde alguém morreu. Quando localizados na berma da estrada recordam geralmente uma morte causada por um acidente de viação. No mesmo cruzeiro podem ser referidas várias pessoas. Mas a morte repentina de Aurélio Fernandes, aos dezoito anos de idade, no dia 8 de Março de 1938, deverá ter tido uma causa diferente.

344. Cruzeiro, Ínfias. Fornos de Algodres. 27 de fevereiro de 1996

Espigueiros — Pendilhe

[pst 344] O princípio que rege a sua construção é o mesmo utilizado nos mais conhecidos espigueiros do Minho, particularmente do Soajo e do Lindoso, mas o seu aspeto é diferente. Não têm aqui o ar perene nem as esmeradas cantarias em granito. Construídos em madeira, com cobertura de telha, apresentam uma imagem mais frágil, delicada e pobre que os seus congéneres dos milhos mais viçosos e abundantes do norte do País.

343. Espigueiros — Pendilhe. Vila Nova de Paiva. 19 de agosto de 1996

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Castro do Tentinolho

[pst 343] O lugar, granítico, tem características ermas e serranas; no entanto, deve aqui ter existido uma vida intensa, que deixou alguns vestígios. Ainda são percetíveis alguns troços de muralha que lembram a existência de uma antiga e poderosa estrutura castreja. O seu ponto culminante ultrapassa os 1000 m de altitude e a vista que daí se alcança sobre o vale do Mondego é grandiosa.

342. Castro do Tentinolho. Guarda. 29 de fevereiro de 1996

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Loriga

[pst 342] Loriga, a meia encosta da serra da Estrela, deve um desenvolvimento próspero ao sítio da sua implantação no último afloramento granítico antes da ribeira penetrar nos xistos de solos inférteis. Embora o vale seja de declive bastante acentuado, obrigando à construção de socalcos, a jusante da aldeia, para possibilitar os trabalhos agrícolas a água é abundante, permitindo assim o desenvolvimento dos lacticínios, bem como dos lanifícios. Para uns e outros muito contribuem os pastos de altitude da serra, que se mantêm verdes durante a estação seca.

341. Loriga. Seia. 26 de junho de 1996