sábado, 29 de abril de 2017

Medo e espanto

[arquivo cidade 082] Procurar o que não existe, encontrar o que não se podia imaginar, embarcar na vertigem de uma viagem de medo e espanto. Arriscar, pensado que que há um mínimo de segurança que afinal não existe. Olhar de frente a liberdade para errar e rejeitar uma moral óbvia assumindo a solidão de um rosto no nevoeiro.
[2016]

Abarcar

[arquivo cidade 081] Seguir intuições, pois não há um mapa que possamos seguir. Poderá haver fragmentos de um desenho breve para um tempo próximo, mas não há mapas para o futuro. Não conseguimos representar espaço e tempo simultaneamente, pois ambos poderão ser uma mesma entidade de uma complexidade que não nos é acessível, nem tão pouco conseguimos abarcar as relações que se estabelecem nesse território. Espécie de mundo quântico, do qual nos aproximamos por tentativas. 
[2016]

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Sobre uma linha

[arquivo cidade 080] Caminhar continuamente. Paramos ocasionalmente, mas para pensar um pouco no itinerário percorrido e nos trilhos que podemos seguir no futuro, nas opções que se nos deparam. Mas é impossível parar. Regressamos, ciclicamente, ao ponto de partida, mas este vai também assumindo diferentes leituras ao longo do tempo. Tudo é irrepetível, tudo é caminho sobre uma linha de tempo imprecisa. 
[2016]

Códigos

[arquivo cidade 079] Há carácter da obsessão, da incessante busca pelas formas de comunicar uma mensagem que é, ela própria, evolutiva, que assume formas e plasticidades diferentes ao longo do tempo. Os lugares, os seus elementos, parecem falar, como é todo o universo visível estivesse impregnado de códigos que urge decifrar. Caminhar atento num mundo de discursos cruzados límpidos e contraditórios. 
[2016]

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Desperto

[arquivo cidade 078] Procuramos também o significado da palavra liberdade, que não é apenas uma conquista em sociedade, é uma dimensão individual de relação intrínseca, é o estar desperto para mudar, ler a voragem do tempo e assumir a continuidade de estados diferentes. 
 
[2016]
 

Mapas

[arquivo cidade 077] Há superfícies que nos mostram os mapas que encontramos durante o caminhar em campo aberto ou no labirinto das cidades desconhecidas. Mais do que mapas, são linguagem, são as palavras de um texto que vai assumindo diferentes significados. Explicação de um mundo, pistas para um passo seguinte, nunca para uma viagem mais longa. Caminhamos de palavra em palavra, desenhamos narrativas.
 
[2016]
 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Arte, escrita

[arquivo cidade 076] Procuramos o significado da arte. A arte é, aqui, uma aproximação à representação da realidade pela expressão do pensamento, sob forma gráfica, com o uso de uma ou diferentes linguagens. É a “escrita” de algo que não pode ser dito de outros modos, como, por exemplo, o discurso científico. É algo, hoje, de uma extraordinária abrangência, que não se limita a formas queridas ou desejadas pelo mercado, mas a própria linguagem integra a procura da expressão do entendimento humano da sua condição biológica e posição no planeta Terra.
 
Lisga, Sarzedas, Castelo Branco. 2016